Não pode ser de leitura obrigatória porque todos sabemos que a obrigação contribui seriamente para matar a leitura. Mas, arrisco dizer, estará no top três dos livros infanto-juvenis de 2013. Irmão Lobo é avassalador na abordagem, na construção das personagens, na progressão narrativa. Carla Maia de Almeida, António Jorge Gonçalves e o Planeta Tangerina criaram uma obra especial. Mais não digo. Quem quiser saber, está convidado para o lançamento, no sábado, na Galeria Monumental, em Lisboa. Vamos estar lá nós, e muitos livros.
Quarta-feira, Maio 22, 2013
irmão lobo, encontro marcado para sábado
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Terça-feira, Maio 21, 2013
A contar os dias para a Feira do Livro de Lisboa
A Feira do Livro de Lisboa abre já depois de amanhã. Até 10 de Junho, a boa agitação do costume: livros do dia, hora h, lançamentos, novidades, programação paralela... E o melhor, aquele entusiasmo dos bons encontros, com livros e pessoas, das farturas e da célebre Noites de Luar, a roulotte que todos os anos tem saciado o nosso apetite.
Espera-se bom tempo (apesar destas intermitências), dias mais longos, e a alegria do regresso a algo por que muito se espera.
Por cá é assim, todos os anos.
Mesmo que na 5ª feira não rumemos ào Parque Eduardo VII, é certo que até domingo lá iremos respirar esse pedaço especial de oxigénio.
As informações sérias estão no site da feira que convém consultar diariamente. Est post é só um desabafo, e pode ser reconvertido numa imagem de duas crianças aos pulos, a perguntarem aos pais: Ainda falta muito? (O plágio vai directo para o título do álbum da Carla Maia de Almeida e do Alex Gozblau, altamente recomendável para crianças e adultos.)
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O Mundo de Enid Blyton, por Alice Vieira
O Mundo de Enid Blyton, numa edição da Texto Editores, foi lançado hoje e promete ser um sucesso de vendas.
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Sexta-feira, Maio 17, 2013
Prémios FNLIJ 2013
Já são conhecidos os vencedores dos Prémios FNILJ 2013, relativos à produção editorial brasileira em 2012. Estes prémios têm 20 categorias, tentando assim abarcar as várias componentes da produção editorial infantil e juvenil. A FNLIJ, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil é a secção brasileira do IBBY, foi fundada em 1968 e atribui estes Prémios desde 1975. A sua actividade é extensa, apostando na literatura através de concursos, prémios e projectos de leitura, valorizando o trabalho de autores e de bibliotecários.
De entre os livros ou autores mais conhecidos em Portugal, destaca-se A Bicicleta que Tinha Bigodes: estórias sem luz elétrica, de Ondjaki, que venceu na categoria de Literatura em Língua Portuguesa e está editado em Portugal pela Caminho. No Brasil tem a chancela da Pallas.
Tatiana Salem Levy mereceu a distinção na categoria de autor revelação, pelo livro Curupira Pirapora (com ilustrações de Vera Tavares), uma edição portuguesa e brasileira da Tinta da China.
Por cá, gostava de ver editado o livro de Peter Sis, (com tradução de Érico Assis), O muro: crescendo atrás da cortina de ferro, uma edição da Companhia das Letrinhas, que venceu na categoria tradução/ adaptação de informativo. Nunca o vi, mas pelo valor do ilustrador e pelo tema, parece-me o tipo de livro que carece de existência em Portugal.
Fica uma apresentação da Companhia das Letras.
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Quinta-feira, Maio 16, 2013
Festival Panos
«“PANOS”
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Quarta-feira, Maio 15, 2013
o papel histórico da literatura infantil: 5ª sessão
Na sessão de 2ª feira, José Ruy, um dos mais conhecidos autores de banda desenhada portugueses, foi o convidado. Com um discurso muito afável, explicou à audiência como se processa e como evoluiu o seu método de trabalho, centrando-se sempre na questão narrativa.
Para que a narrativa funcione, José Ruy considera essencial que a sua progressão seja perceptível pela leitura da sequência das imagens, ainda antes da leitura do texto. Se nos anos 30 e 40 tudo era contado, hoje é possível, dada a evolução técnica e estilística, recorrer a elipses. Esta evolução não decorre apenas das potencialidades que o cinema desenvolveram, mas também de factores externos à criação propriamente dita.
Quando as Bandas Desenhadas eram publicadas na imprensa, as narrativas eram continuadas. Publicava-se uma tira que culminava na suspensão da acção, que se desvendaria na semana seguinte. A acrescer a esta condicionante, estava a formatação das vinhetas, pensadas para integrar os rodapés dos jornais.
Por isso, José Ruy habituou-se a dividir as páginas com uma linha de equador para que as histórias aos quadradinhos pudessem ser publicadas em jornais, o que ainda acontece ocasionalmente em alguns periódicos regionais. A preocupação de saber onde vai sair a narrativa gráfica e a estruturação do trabalho em função disso ainda condiciona o tamanho das vinhetas do autor, que antecipa várias possibilidades de disposição, para assim poder responder sem prejuízo para a lógica e ritmo narrativo.
Outra alteração ao longo da sua longuíssima carreira deu-se nos anos oitenta quando os seus álbuns abandonaram a tradição franco-belga de 48 páginas e se viram reduzidos a 32, para serem menos dispendiosos e mais acessíveis aos leitores. Foi necessário então eliminar alguns detalhes e condensar informações, encontrando novas formas de narrar.
A narrativa, desenvolve-a numa tira de papel dividida pelo número de páginas do álbum, para melhor equilibrar a história e evitar momentos de densidade excessiva. Depois, desenha um rascunho com a divisão em vinhetas e os apontamentos para as falas, todas numeradas. É a partir deste rascunho que se fazem todas as alterações editoriais. Depois José Ruy desenha a arte final, a tinta da china, com os balões e legendas em branco, que serão escritas à parte, em papel vegetal, para o caso de, se o álbum for traduzido, se poder reescrever o texto sem alterar a impressão da imagem. Como exemplo radical de tradução, o ilustrador mostrou-nos uma edição hebraica de uma banda desenhada sua, que teve de ser reconfigurada devido ao facto da leitura se fazer da direita para a esquerda.
Duas excepções a esta concepção narrativa aconteceram com um Auto de Gil Vicente e com Os Lusíadas, de Luís de Camões. No primeiro caso, as falas eram muitas e os balões saturavam as vinhetas. José Ruy inspirou-se num pergaminho do séc. XIII em que as falas saíam directamente da boca das personagens e eliminou os balões. Para Os Lusíadas, utilizou o texto, muito vasto, como contorno e como desenho.
Com quase setenta anos de carreira na Banda Desenhada, José Ruy usa hoje, para além da tinta da china e dos modelos vivos que retrata para reproduzir as figuras ao promenor, os recursos que o computador lhe oferece, como acontece com o tratamento da cor, que consegue esbater, aparentando a aguarela com que coloria as suas ilustrações no passado. Prepara-se para lançar uma biografia de João de Deus, trabalha 13 horas por dia e mesmo assim o tempo não lhe chega.
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Segunda-feira, Maio 13, 2013
O papel histórico da literatura infantil: 4ª sessão
Na passada 4ª feira, foi convidado do curso o designer Jorge Silva, que traçou uma brevíssima história da ilustração para crianças em Portugal, desde a viragem do séc. XIX para o XX até aos anos 80. Cruzou estéticas inovadoras e de ruptura com figuras menores mas paradigmáticas da sua época e assim desenvolveu um mapa de expressões, estilos e personalidades mais amplo do que à partida se esperaria, num país que esteve imerso, como o próprio Jorge Silva frisou, numa ditadura com origens na inquisição e que ainda hoje tem consequências.
Como ponto de partida o naturalismo e o cartoon, que se fixa no indivíduo, mais do que no comportamento, o que se altera no modernismo. A primeira figura vanguardista e até pouco reconhecida é Emmerico Nunes, o primeiro autor de um picture book, apenas editado na Alemanha, nas vésperas da 1º Guerra Mundial.
Leal da Câmara e Cotinelli Telmo são referências transversais e persistentes, não apenas pela sua qualidade, mas pela presença que marcaram na ilustração de livros, quer nas capas quer no interior, como em revistas.
Na década de 20, Jorge Silva destaca Milly Possoz, pelo seu virtuosismo gráfico quase naïf, que rompe com a compulsão de descrever o real. A ilustradora colabora, por exemplo, com Ana Castro Osório em Viagens Aventurosas de Felício e Felizarda ao Polo Norte.
Também Raquel Roque Gameiro tinha uma invulgar qualidade de traço, límpido, perfeccionista, cinematográfico, onde se destacavam os olhos felinos de crianças e mulheres. A sua originalidade reside na inovadora perspectiva de picados e contra-picados que contrariam o tradicional plano frontal, muito comum e mais facilmente apreensível.
Nos anos 30, com a afirmação programática do Estado Novo, assistiu-se a uma infantilização nos argumentos, quer no texto, quer nas imagens, de livros e revistas de recepção infantil. Um dos exemplos mais evidentes é a produção editorial da Majora, que surge em 1939 e lança histórias maniqueístas de princesas boazinhas e madrastas rancorosas. Na década de 40 regressa um exemplo da originalidade de Milly Possoz, com o Livro da 2ª Classe, e uma nova técnica de esfumado, muito delicada, de origem japonesa.
É também no final desta década que aparece José de Lemos com figuras impressas com cores directas, praticamente sem traço, recortadas sobre papel branco. Eduardo Teixeira Coelho e Fernando Bento voltam a ser referidos, bem como a sua rivalidade, centrada nas revistas a que davam uma assinatura temática e estilística distinta. A partir da década de 50, o pós-guerra abre caminho para que os artistas gráficos e plásticos arrisquem em novas técnicas e temas. Maria Keil surge nessa altura, com uma capacidade de evocação muito grande, e um trabalho experimental.
A tendência de ruptura conquista uma ilha logo nos alvores de 60, com a revista Carocel, um projecto de arte pela arte que defende que a ilustração de adultos para crianças deve acabar e devem ser as próprias crianças a ilustrar os textos que se lhes dirigem. Calvet Magalhães, director da Escola Francisco Arruda, em Lisboa, acredita e alimenta o projecto, que acaba por se expandir noutras cidades, como Bragança.
Por esta altura aparecem vários nomes, entretanto esquecidos, que ilustram com um traço próprio, capas e textos infantis, como é o caso de Bió, Leonor Praça ou Tóssan. É também nesta década que aparece João da Câmara Leme.
En passant, Jorge Silva percorreu ainda os anos oitenta para destacar o regresso à matéria e à densidade da tinta por Manuela Bacelar, a renovação nas artes gráficas promovidas por Jorge Colombo e a qualidade de evocação poética e plástica de Henrique Cayate.
Para saber mais, basta ler o Almanach Silva. Está lá tudo!
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Terça-feira, Maio 07, 2013
papel histórico da literatura infantil: 3ª sessão
Hoje, no Centro Nacional de Cultura, o Curso Livre coordenado por Rosário Alçada Araújo, teve como orador convidado o especialista em Banda Desenhada, João Paiva Boléo. Pelas suas palavras, percorremos as primeiras décadas do séc.XX, especialmente as de 20 e 30, e assistimos, ainda que de forma mediada à grande revolução que então se operou na Banda Desenhada. Datas, nomes de periódicos, referências bibliográficas e autores, muitos autores, desfilaram pela sala. No final da sessão, contudo, Paiva Boléo deixou a certeza de que tudo o que foi dito foi pouco, muito pouco, perante tantos talentos, tantos traços, tantas rupturas e encontros que se entrecruzaram nas páginas dos suplementos infantis, e não só.
Outro dos nomes de referência desta geração, republicana e modernista, é Cotinelli Telmo, arquitecto de profissão, a quem se atribui a criação do modelo de jornalismo infanto-juvenil, pelo seu trabalho no ABCzinho. O autor, para além do traço moderníssimo, foi também um descobridor de talentos, entre os quais se contam Carlos Botelho e Cardoso Lopes.
A Primeira República, sabe-se hoje, foi muito importante para o desenvolvimento de valores cívicos essenciais, como os direitos das mulheres e a valorização da educação junto de uma população esmagadoramente analfabeta.
O aparecimento dos suplementos infantis contribuiu para o desenvolvimento da Banda Desenhada, que ali surge integrada, em muitos casos associada a adaptações da literatura clássica para jovens.
Nos anos 30 já é possível reconhecer duas tendências da BD portuguesa: uma, herdeira da própria tradição literária, que envereda pelas adaptações, muitas delas de carácter histórico; outra, de aventuras, que vai beber a sua influência aos westerns e outras grandes epopeias cheias de ritmo e acção.
Depois da incontornável importância de ABCzinho, surgem nos anos 30 O Senhor Doutor e Papagaio, revistas com mais meios técnicos e financeiros e onde estas tendências acabam por cruzar-se. É nesta década que os autores de Banda Desenhada passam a ser reconhecidos em primeiro lugar como tal, e só depois por outras artes que dominem. Dois nomes paradigmáticos desta autonomização são os de José Ruy e José Garcez, que se notabilizaram pelas suas adaptações históricas e literárias.
Entre 30s e 40s três novos nomes trilham os caminhos desta arte: Fernando Bento, Eduardo Teixeira Coelho e Vitor Péon. O primeiro dedicando-se, com uma vertente humorística, às adaptações de clássicos e o terceiro a aventuras. Eduardo Teixeira Coelho conjugava as duas tendências.
Essencial é Adolfo Simões Muller na edição da imprensa infantil portuguesa e na sua ligação à literatura. É ele o editor da revista Cavaleiro Andante, na década de 50, onde a Banda Desenhada já é dominante, em relação às outras rubricas, como os contos, as construções de armar ou o correio dos leitores. Nesta revista encontram-se participações de autores internacionais, sendo uma porta de acesso ao mundo, para o leitor mais novo e mais velho. Hergé e Franco Caprioli são dois dos seus nomes mais sonantes.
A história desta época está ainda um pouco inacessível, com poucas publicações disponíveis. Entre elas, consta Quim e Manecas, 1915-1918, de Stuart Carvalhais, numa edição da Tinta da China, com organização e prefácio do próprio João Paiva Boléo. Enquadrados em duas exposições da Fundação Calouste Gulbenkian, vieram a lume os volumes A Banda Desenhada Portuguesa 1914-1940 e A Banda Desenhada Portuguesa 1940-1980, com textos de João Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, editados pela F.C.G.
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